terça-feira, 1 de outubro de 2013

lucy in the skype online


o sonho acabou
julian cresceu
lennon morreu
e lucy hoje trabalha
como secretária

sem direitos
autorias
de sonhar
como quando ela ainda era apenas uma música

tomba
toma
esporro do se chefe
porque viaja sentada skypa
da realidade
e esquece de ligar o skype.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

enema of the state


aqui
até a pessoa mais liberal
tem o rabo preso.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

fu(tu)ro




no meu relógio biológico
tu és o buraco negro
atrás do arco
da íris e bílis negra
onde eu me acho
quando fecho os olhos

aquela parte vazia que carregamos
dentro da gente
com tanto carinho

tu é ausência
o furo na palma da mão daquele
que tinha um caminho escrito
nas brancas páginas das solas dos pés

o elo perdido
entre o que eu era
com o que nós podíamos ser

(presente de grEgo).

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

um pouco mais de corpo


- bom, em primeiro lugar, eu quero agradecer ao lucas viriato por ter nos dado forças no jornal plástico bolha. ali demos os nosso primeiros passos poéticos.lembro-me que ao ver um poema meu, digo, nosso, publicado no jornal, tive a sensação de estar voando.

em segundo lugar porque este pequenino livro-grandioso "corpo pouco"

                                                                           

me fez refletir sobre muitas coisas que ocorreram e que ainda estão correndo em minha vida, nesta minha realidade de viver nas nuvens.

eu sempre me senti um poeta, sabe? desses que acham que somos deuses vivendo no olimpo. a herança do pensamento grego eu carrego em minha caixola. desde cedo aprendi, como esquema de sobrevivência, que nesta sociedade a melhor opção é pensar com o umbigo. 

me sentia prosa só por gostar de poesia heringer.
em minha cabeça de "poeita" a poesia era uma roupa, sabe? uma roupa da hering, um uniforme de super-herói que me dava super poderes. isso ainda realçava a minha silhueta social.

passei anos acreditando que era dotado de conhecimento e principal responsável por leva-lo à minha sociedade, ajudando os meus semelhantes a enxergarem o mundo através da poesia. eu me sentia um atlas.

hoje, após algumas experiências transcendentais, descubro que existe vida além da mente.

no momento em que tive mais medo de me afogar nas ilusões da minha mente, fui salvo por quem? pelo meu corpo que me trouxe de volta para realidade.

sim, o corpo é o que temos de mais real nesta vida. o corpo se pega, se mexe, se balança e se requebra e traz febres de sábado à noite.

após anos acreditando que esta guerra entre os dois lados da minha vida não iria acabar nunca, percebo que eu só precisava arrumar uma outa forma de enxergar a vida, olhar o mundo com uma outra perspectiva.

então, chega de viver no mundo da lua! preciso voltar à terra.

o meu corpo, e o "corpo pouco", me fizeram percebe que podemos ser siameses conosco mesmos (mas até certo ponto, é claro. é preciso respeitar os quadrados da matéria).
ou também podemos aprender com as mães como é trabalhar com duas energias diferentes em um único corpo-realidade, em período de gravidez.

agora eu sei que a minha insônia e a minha hiperatividade não são doenças como eu imaginava, mas sim coisas da minha própria cabeça.

agradeço ao lucas viriato, poeta da cabeça aos pés, por me fazer aprender neste livrão que há possibilidades de levar a poesia das mãos ao restante do corpo, ou do restante do corpo as mãos, como já profetizava o mestre sexta-feira (ericon pires).

em matéria de realidade, o corpo nos mostra que é o local onde encontra-se o agora.
e agora eu aprendi que os verdadeiros poetas são os atores de filmes pornôs.


obs.: lucas, estive pensando, será essa a resposta que darei quando me perguntarem sobre o seu livro "corpo pouco".

obs.II: só os que tiveram ou terão o "corpo pouco" de lucas viriato nas mãos entenderão o que eu estou falando.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

o dia em que a terra parou por causa das palavras

http://bibliotecadigital.ilce.edu.mx/sites/ciencia/volumen3/ciencia3/155/img/155_101.gif


















palavras são especulações científicas
cheque sem fundo dinheiro na bolsa de valores
a lógica que seguem os astros
as diferenças entre os gêneros

por exemplo
elas nunca vão entender
o que é um homem sem palavra
um pobre sem ter o que comer

palavra é a força da natureza
é deus pulsão vida plutão
que da noite para o dia
deixa de ser uma coisa
e se torna outra

as únicas certezas que tenho e dou
as mesmas certezas que me fazem
amar a vida e odia-la
de ser pego desprevenido por todas elas

enquanto dou palavras a alguém que desconheço
recebo palavras de alguém
que sabe que me conhece

isso tudo são só palavras
                     só.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

preciso de um sofá novo



dizem que com os anos
de convivência o objeto
ganha o seu perfil
camisa boné óculos
emprego idade ideia

dizem que adjetivos são qualidades
do objeto palavra pessoa ideia
corpo matéria televisiva

tem pessoas que levam muito a sério
os adjetivos adjetos que levam da série de tv

tudo em minha casa se parece comigo
são coisas sujas pelos cantos rasgados
feridos faltando alguma coisa
um vão onde perco aquilo que me é
mais valioso e sem prazo de validade
entre a almofada e o encosto

que seja
apesar de tudo eu amo sofás
de todos os tipos tamanhos
qualquer sofá que me receba com seu
adjetivo mais macio
de poltrona ou pernas abertas
me fazendo perder-se em seu adjetivo
mais ingenuínamente humana que eu conheço

é nesse momento que as pessoas & os objetos se tornam um único objetivo.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

meu amor cai por terra


tu
que pensas que a paixão
ataca somente a mente
é troço que dá só na cabeça
enganou-se

paixão também é
é traça que come pano
com a boca
panos coloridos algodão satin lycra
deixa a boca com gosto de gente
doce
é algo tão cócegas.
 
não é a toa que dizem que o amor é cego
porque quando o ego não vê
é que o amor aparece.

só mente                                                                    em cima
quando percebemos que a lágrima escorre tanto

                                      quanto embaixo
é que nos damos conta
que o amor
age para os dois lados
até pela dor

e isso não foi uma rima.