Para uma mesma pergunta, duas possibilidades, dois tipos distintos de saída ou de resposta. E uma mesma pessoa respondendo. Ou seria melhor dizer: para diferentes tipos de perguntas, uma mesma resposta, uma idéia universal. Duas pessoas, dois semblantes iguais. Duas cabeças diferentes respondendo.
Quem é o bom? Quem é o mau? O que é verdade? O que é falso? O que nos faz bem? O que nos faz mal? (conseguiríamos traçar um paralelo entre esses opostos?)
É partindo dessa idéia (dividida) que dois corpos semelhantes da cabeça aos pés, mas com palavras tão desiguais, resolveram encarar essas antíteses da vida e da própra rotina, da melhor forma que lhe cabiam. Vestindo a carapuça de que para tudo na vida, existem os dois lados da moeda. E que olhando de perto, bem de perto, são sempre muito parecidos...
Os poemas: Bem me quer/Mal me quer
Bem me quer
bem me quer
catando migalhas do
chão e pedindo licença
aos donos, aos pombos
da Carioca anunciando
um vôo novo, um salto
para a eternidade ao vivo
em rede nacional esquecendo
de olhar para os lados
enquanto atravesso
a Suburbana - do jeito
que mamãe ensinou
beijando os seus pés
e dizendo que eu a quero
assim, do jeitinho que
ela sempre quis
Mal me quer
riscou-me de
sua lista dos
10+
apagou cada palavra
minha de seu dicionário
- Romantês-Português
deletou-me de sua face
orkut e face book
apagou minhas cantigas
- nosso olhar a moda antiga
do seu disco de memórias
jogou o meu livro
de sua cabiceira
ladeira abaixo
baixo
me disse que os meus
poemas não enchem os olhos
(apenas o saco)
transformou nossa história
em mitologia
(não se sabe se é verdade ou mito)
tudo porque um dia
lhe dei um amor
que não merecia.
Ópera de pássaros
Há 2 semanas