Aqui, pensamentos insólitos serão sempre bem-vindos...
obs. "A maior parte destes poeminhas
não tem qualquer pretensão.
Uma meia dúzia
tem alguma pretensão.
Dois ou três
São extremamente pretensiosos." M.
Quanto mais eu fujo, não vejo e esqueço
mais me encontro, me vejo e lembro
tudo aquilo que não quero
encontrar, ver e lembrar...
até me surpreendo
e algumas coisas eu passo a gostar (não assumo)
mas na maioria (presumo)
eu fujo, não vejo e esqueço... (exumo)
e segue a lista dos santos que fizeram, usaram e abusaram da santa habilidade de escritor para me livrar de todo mal e da oficina que uma cabeça vazia pode oferecer. No meu horário de meu almoço, de sono e, não posso negar, até no horário de expediente para aliviar o estresse do dia-a-dia. Os salvadores são:
Enfim, faz um boocadoo de tempo que eu não sento aqui, neste amp. de borracha sem encosto que eu utilizo como a minha cadeira giratória de trabalho para usar no computador. É que a coluna dói, o joelho machuca, a velhice precoce se ajeita, as contas assustam, as coisas param de funcionar de repente e as merdas quando resolvem aparecer vêm uma atrás da outra. Mas é isso ae, ainda tento tirar proveito desse presente ardente que é viver para deixar aqui o meu poeminha de natal e logo o do ano novo (que é logo ali ó): Marry, chris e t-mas.
balanço
sempre sobra tanto formalismo para nenhuma reforma
a minha obra completa é um beat atravessado
desconto na janela as chances que desperdicei tentando ser outra coisa um atleta, um golpista
e se eu fosse um alejadinho descobriria que o mundo
Feriado, pra que te quero? Se no Brasil as coisas vivem num eterno recesso? Todo dia é dia de cana, enchentes, vias entupidas, novelas e canaviais. Se você quiser mudar de vida: ih, hoje não vai dar. É dia de futebol na TV. Do último capítulo da novela das oito. De descobrir quem matou Odete Roitman. Conheço estas histórias de outros carnavais. No Brasil se paga o prato e se come o pato. Mas ainda sim, existem outros animais que pensam: no futuro, na futilidade da vida, na ironia e na decadência dos outros animais. Ornitorrincos e pardais. Estes sim, são bichos porretas. Nesta semana, no meu trajeto ao trabalho, dentro de um ônibus cheio de pessoas vazias, perdi o sono com o livro de estréia do Gabriel, O Pardal. Que fera! Que Garra! Animal! Carnavália é o livro que se desnuda sem precisar estar num carnaval. E prega uma peça bonita nessa gentalha. Este cara, que tem pinta de sulista, ginga de carioca e vem lá da Bahia. Ele não está falando sério. E quem no Brasil fala sério? Ninguém se leva a sério. Estamos dispostos a arrancar gargalhadas da desgraça alheia. Ou da própria. Das prestações vencidas, das almas perdidas, dos cartões estourados. Vende-se desespero como mercadoria. Quem dá mais!? "a ideia inicial era que na/ falta de balas, cassetetes e granadas, você pudesse/ arremessar este livro contra os inimigos." Pardal dá o troco nesta palhaçada toda sem receber um tostão. E neste circo armado de fanfarrões e carrascos mascarados de apresentadores de comerciais, Gabriel, o professor-pardal, só quer mostrar pros senhores e para as senhoras a mais nova invenção que o mundo já conheceu, da mais alta inovação ideológica que um homem já conseguiu: Carnavália. E aproveite para saborear esta incrível cria, enquanto o seu dinheiro te leva para passear, antes que o mundo se acabe em doces e travessuras. Isto aqui rapá, é bala.